Protótipos navegáveis.

Postado por André Persil em 19/12/2008

E não que a ironia dá lugar a razão? Quem nunca ouviu a expressão que indaga: Não entendeu? Quer que desenhe? Pois bem, a resposta é bem clara. Se não quer perder tempo explicando, desenhe logo.

Falando em Web, é comum que profissionais dedicados em manter-se imersos em conceitos, técnicas e tecnologias consideradas inovadoras, esqueçam que o nível de quem aprova nossas propostas de soluções na grande maioria das vezes está em um universo bem distante do que desejamos.

E é nesta fatídica questão que entram em cena os libertadores protótipos navegáveis. Não tenho presunção de “chover no molhado” ao escrever sobre algo que já possui um considerável quantidade de artigos espalhados pela Web, mas sim, dar meu testemunho acerca do impacto que há em desenhar logo, em vez de tentar explicar.

Tenho notado que quanto menor o letramento digital de quem aprova os projetos apresentados maior é a necessidade de um protótipo navegável, pois, felizmente, a possibilidade de aprovação é bem maior.

Mas nem tudo são flores, é necessário especificar bem o nível de detalhamento para evitar que a equipe de desenvolvimento não pense que o projeto se resume a por um protótipo pra funcionar sem os devidos cuidados da etapa de desenvolvimento que deve ser complementar entre os designers e os desenvolvedores.

Mas, isto eu prometo tratar melhor no próximo artigo.

Juro!

Chega de medalhões, chega de máscaras.

Postado por André Persil em 28/10/2008

Como comentei neste artigo, este ano eu me propus uma espécie de exílio, que consiste, basicamente, em não participar de nenhum evento relativo a internet.

Explicando, estou bastante desapontado com os rumos que muitos destes eventos têm tomado e principalmente com a maneira repetitiva e rasa com que os assuntos  internéticos são tratados.

Tem um monte de gente por aí dizendo saber o que é, como manipular e para onde vai a internet. Será mesmo? Ou o máximo que têm conseguido é descrevê-la num mashup composto de pitadas dos conceitos que permeavam as incertezas de Tim Bernes-Lee (em inglês) quando este ainda gestava a Web na década de 80 mais algumas doses de obviedades, atribuídas a Tim O’Reilly, embaladas sob o rótulo de Web 2.0. E, enfim, a exemplo deste parágrafo, apenas mais do mesmo.

Acredito que a internet é um organismo vivo, dinâmico e em pleno desenvolvimento, e que ainda é muito cedo para termos tantas certezas sobre algo que está em constante processo de mutação, cujo ambiente, curiosamente, é ele mesmo. Ora, se a internet, em um processo contínuo, se retroalimenta e evolue de si para si mesma, me parece muito presunçoso que tenhamos tantas respostas para um objeto de tantas questões. E questões cada vez mais complexas.

Fica a sensação de que a maioria destes eventos não passam um cordão de ‘umbigocêntricos’ que não enxergam além de conceitos enlatados e portanto não oferecem mais que a oportunidade de orbitar algumas pessoas que pertencem a um círculo cujo destino não ultrapassa os limites do próprio eixo.

Para mim, é inevitável lembrar da Teoria do Medalhão de Machado de Assis que nada mais é que uma crítica extremamente irônica ao culto à mediocridade que ainda hoje é prestado pelos mais diversos indivíduos, nas mais variadas áreas e âmbitos pessoais, profissionais e acadêmicos. E não exclue-se daí a Internet, a vedete da inovação, a revolução da comunicação, o templo do acaso, um ambiente propício a experimentação, a contestação e a dúvida.

No geral, falta espaço para a dúvida, para o questionamento, para o incerto, para o erro, para a tentativa! Tudo está involucrado e incrustado no infinito digital, e não tem problema em ser mais uma réplica de idéias prontas, desde que não se contrarie as convenções, há um lugar garantido na geek’s crew do próximo evento.

Por mais que contradiga o ‘meu exílio’, lamento não ter participado do iMasters InterCon 2008, não pelo respeito que tenho pelo Tiago Baeta ou pela admiração que tenho pelo Luli, mas por ver em todo o estardalhaço que surgiu em torno do evento que eu não sou o único que vejo a necessidade de repensar os paradigmas que têm tornado os eventos Web tão previsíveis, monótonos e medíocres. Gostaria mesmo de participado da iniciativa do Luli em criar um novo modelo que provocasse os participantes à reflexão.

Enfim, chegou a hora de algumas máscaras caírem e de encontrarmos uma maneira de silenciar esta Ode a Mesmice.

Malditos ícones!

Postado por André Persil em 23/10/2008

Semana passada alguns alunos me questionaram acerca do uso de ícones na composição de páginas web e qual não foi a surpresa deles quando respondi que não aconselhava o uso dos malditos ícones a menos que soubessem muito bem o que estavam fazendo.

Considerei perfeitamente compreensível o espanto inicial, já que é muito comum recorrermos a representações gráficas quando nos deparamos com situações em que determinada informação se faz - ou a fazem - necessária, mas não há onde colocá-la.

Enfim, quando falamos da grande maioria da interfaces, sejam de websites ou aplicações, notamos - com um pouco de bom senso - que muitas vezes os ícones não passam de tentativas frustradas de dizer alguma coisa que no final das contas não dizem nada, quando não dizem o oposto do que fora proposto.

Valendo-se de toda a capacidade de produção de clichês que é própria dos grandes profissionais devidamente capacitados em qualquer botecudade da vida, muitos designers esquecem completamente que “uma imagem vale mais que mil palavras”, e que isso pode não ser nada bom. Mesmo!

Não canso de tentar entender, por exemplo, o que se passava na mente de quem concebeu os ícones que são utilizados no cabeçalho do portal Terra. Principalmente quando vejo o ícone que, em tese, representa o Horóscopo:

Desculpem-me os mais castos, mas na minha opinião, este ícone tem relação, mas não com o Horóscopo , e eu nem sou tão maldoso assim. E por favor, vamos ignorar a ovelha de moicano (ícone do tempo?). Tudo bem que o próprio tamanho das imagens não ajudam muito na compreensão das mesmas, mais isto deveria ser previsto na concepção, não?

Não que eu queira desprestigiar o trabalho de alguém - inclusive por desconhecer tal alguém - mas, verdade seja dita, criar ícones que sejam eficazes é um desafio demasiado arriscado para ignorarmos conceitos básicos de uma disciplina amada por uns e odiada por muitos, a semiótica.

É na semiótica que reside, como dizem, “o pulo do gato” e é nos seus tão esquecidos conceitos que, caso não tenhamos escolha, podemos aumentar as chances de sucesso na concepção de um ícone.

Santaella que me desculpe, mas sem me ater muito a complexa relação triádica da semiose peirceana, um dos fatores importantes que devemos nos obrigar a entender, semioticamente falando, é o tal do repertório, que é o acúmulo de experiências perceptivas e cognitivas utilizadas na leitura, interpretação e compreensão dos signos - não os do Horóscopo - que incluem os ícones.

Esclarecendo, os símbolos, ícones e equivalentes significam para mim o que a minha experiência de vida permitir. Por isso, o risco da abstração da informação com o uso de ícones que ficam na dependência da interpretação de mentes alheias, o que pode tornar a informação completamente subjetiva.

Um outro exemplo, crasso, diz respeito aos ícones de “Salvar” utilizados largamente nos mais variados aplicativos, como no exemplo, o Microsoft Office.

Disquetes são familiares para mim, apesar de que há alguns anos não os uso mais, porém, é muito provável que este disquete não diga muita coisa para um usuário adolescente que quando precisa  guardar algum documento nunca usou um disquete, e sim CD, DVD ou um Pendrive.

É meio metafísico, mas o que fez sentido um dia, hoje já não faz mais tanto sentido e em breve não terá sentido nenhum. No caso do aplicativo, a função persiste, mas, em breve, o ícone não conseguirá mais representá-la.

Resumindo, não devemos abandonar os ícones por completo, mas precisamos ter consciência de que precisamos tomar muito cuidado para não comprometermos a informação, ou cairmos no ridículo como nos exemplos abaixo:

Não sei qual a autoria destas imagens, mas me incentivaram bastante a escrever este artigo.

Obrigado ao autor.

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