Chega de medalhões, chega de máscaras.

Como comentei neste artigo, este ano eu me propus uma espécie de exílio, que consiste, basicamente, em não participar de nenhum evento relativo a internet.
Explicando, estou bastante desapontado com os rumos que muitos destes eventos têm tomado e principalmente com a maneira repetitiva e rasa com que os assuntos internéticos são tratados.
Tem um monte de gente por aí dizendo saber o que é, como manipular e para onde vai a internet. Será mesmo? Ou o máximo que têm conseguido é descrevê-la num mashup composto de pitadas dos conceitos que permeavam as incertezas de Tim Bernes-Lee (em inglês) quando este ainda gestava a Web na década de 80 mais algumas doses de obviedades, atribuídas a Tim O’Reilly, embaladas sob o rótulo de Web 2.0. E, enfim, a exemplo deste parágrafo, apenas mais do mesmo.
Acredito que a internet é um organismo vivo, dinâmico e em pleno desenvolvimento, e que ainda é muito cedo para termos tantas certezas sobre algo que está em constante processo de mutação, cujo ambiente, curiosamente, é ele mesmo. Ora, se a internet, em um processo contínuo, se retroalimenta e evolue de si para si mesma, me parece muito presunçoso que tenhamos tantas respostas para um objeto de tantas questões. E questões cada vez mais complexas.
Fica a sensação de que a maioria destes eventos não passam um cordão de ‘umbigocêntricos’ que não enxergam além de conceitos enlatados e portanto não oferecem mais que a oportunidade de orbitar algumas pessoas que pertencem a um círculo cujo destino não ultrapassa os limites do próprio eixo.
Para mim, é inevitável lembrar da Teoria do Medalhão de Machado de Assis que nada mais é que uma crítica extremamente irônica ao culto à mediocridade que ainda hoje é prestado pelos mais diversos indivíduos, nas mais variadas áreas e âmbitos pessoais, profissionais e acadêmicos. E não exclue-se daí a Internet, a vedete da inovação, a revolução da comunicação, o templo do acaso, um ambiente propício a experimentação, a contestação e a dúvida.
No geral, falta espaço para a dúvida, para o questionamento, para o incerto, para o erro, para a tentativa! Tudo está involucrado e incrustado no infinito digital, e não tem problema em ser mais uma réplica de idéias prontas, desde que não se contrarie as convenções, há um lugar garantido na geek’s crew do próximo evento.
Por mais que contradiga o ‘meu exílio’, lamento não ter participado do iMasters InterCon 2008, não pelo respeito que tenho pelo Tiago Baeta ou pela admiração que tenho pelo Luli, mas por ver em todo o estardalhaço que surgiu em torno do evento que eu não sou o único que vejo a necessidade de repensar os paradigmas que têm tornado os eventos Web tão previsíveis, monótonos e medíocres. Gostaria mesmo de participado da iniciativa do Luli em criar um novo modelo que provocasse os participantes à reflexão.
Enfim, chegou a hora de algumas máscaras caírem e de encontrarmos uma maneira de silenciar esta Ode a Mesmice.

Parece que algumas pessoas estão se conscientizando, de que hoje estamos no meio de um campo de batalha, levando tiros por todos os lados e não sabemos de onde eles vem, pra nos defendermos. É extamente isso que você descreveu. E isso é verdade.
Esse mundo da tecnologia e internet é a maior vítima da midia/marketing de mau gosto.
Enquanto as marcas estão inventando modas para “arrecadar” mais dinheiro dos bobalhões que consomem qualquer moda que aparece, por outro lado, a real intenção da evolução da internet, não é mais benefício ao homem. E, quem for contra mim, sugiro que ao invez de ficar lendo notícias por ai (de jornalistas que vivem no CTRL C + CTRL V) que espertizem-se mais de como é mundo da publicidade. É só entendendo um pouco da sociologia do capitalismo baseado na socidade que forma um indivíduo e sua psicologia, é que vão perceber que hoje, infelizmente, estamos vivendo uma guerra sem fim, daqui pra pior, onde só querem fazer dinheiro, com suas estórias e invensões que promovem marca. Benefício ao homme? Esquecem! A prova, é a besteira mais besteirol de todas, que é computer cloud. Enquanto os “baba-ovo” que consomem tudo o que a midia faz, existem algumas pessoas acordando e vendo que por tras dessas estorinhas legais, existe a “intenção de marca”, de dominar a todos, Dominar mesmo. Mandar no mundo!
Só que, não participar de eventos não vai adiantar nada. Eu sugiro, é que comecem a filtrar o que se vê, ouve e lê.
O que acontece é que hoje temos muitos entusiastas em todas as áreas, há alguns dias atrás fiz um post meio parecido com esse também:
http://www.pinceladasdaweb.com.br/blog/2008/10/27/existe-a-agencia-perfeita/
Belo post, André, bela discussão! Os eventos sobre internet e design para web têm se tornado nada mais que dias específicos para networking, pois nada do que é passado de conteúdo se aproveita. E isso tem deixado muita gente decepcionada.
O iMasters InterCon 2008 foi um evento diferenciado, com propostas diferenciadas e buscou sair da mesmice, por isso é preciso dar valor a esse tipo de iniciativa, com certeza. E me orgulho de ter ajudado no máximo que pude para a realização do evento.
Muitas pessoas gostaram, muitas não, mas as sensatas no mínimo conseguiram enxergar que o que foi feito ali era mais propício a erros por ser algo que saia do comum e buscava inovação. A isso que demos de dar valor!
Sucesso!
Um abraço,
Felipe Gomes.
http://www.felipegomes.com.br | blog.felipegomes.com.br
Cara, concordo plenamente com você.
O que procuro fazer é diversificar ao máximo meus pontos de obtenção de informação. Ninguém, repetindo, ninguém sabe de tudo. E não interessa o título, a empresa em que trabalhou, a revista para qual escreve, etc etc. Não gosto de confiar somente em referências no Brasil para isso. Até pq a dificuldade de acesso à educação e estudo torna isso aqui uma terra de cegos. E em terra de cego quem tem olho é rei.
O intercon em particular eu não fui porquê achei fraco, com palestras fracas. Essa masturbações de paradigmas e novos caminhos e num sei q mais…francamente…é interessante mas não é isso que põe comida no meu prato.
Vi seu email na lista de AI.
abcs
Estou aqui, sem comentários a agregar ao conteúdo de seu Post. Vim apenas dizer que você tirou as palavras que estavam em minha garganta a muitos meses. Sempre que recebo e-mails de convites para eventos sem conteúdo e com muito networking, penso nisso. Vou continuar defendendo este ponto de vista, até que me provem o contrário. Abs e parabéns pelo post.
Fantástico cara
Eu sei que isso vai ser estranho, mas em todos os eventos que fui em 2008, foi apenas por networking e rever/conhecer pessoas.
Não que eu me ache superior, mas realmente tudo que é falado são “chutes” do futuro, cases das empresas dos palestrantes e coisas óbvias para quem lê blogs e sites especializados.
Quando ouço falar em “palestras avançadas” será que existe isso? Será que existe uma internet avançada? Será que estamos prontos e temos cabeça o suficiente para reflexionar? Ou será que este é o melhor método? Ouvir algumas coisas, chegar na empresa, gritar com todos e mudar a metodologia e os pensamentos de todos para o futuro.
É complicadissimo, mas concordo em muitos pontos contigo
Muito bom Persil!!!
Estou entrando agora na área de Web, e não fui em nenhum evento esse ano, talvez por falta de incentivo próprio.
Não vou comentar muito sobre o “post”, mas é isso mesmo, os eventos querem sair da mesmice, mas acabam saindo do seu contexto inicial. E fico decepcionado ao saber que pessoas de Web definem a Web tão “porcamente”.
André,
Leu minha mente. Esse ano por exemplo não fui em nenhum, pensei em ir até o do encontro de webdesign, mas tb não vou não.
Acho o que falta nesses eventos é trazer o povo de outras áreas, perceber que nosso trabalho é feito pra essas pessoas, não pra ficar mostrando o que outro fez de melhor.
Sucesso
Olá André, acho que melhor que abandonar os atuais eventos é criar inicaitivas que renovem esses modelos. é natural que eventos, cuja arquitetura implica poucos falando para muitos, resultem em mais do mesmo. Talvez ter um Camp na área de desing, publicidade e arquitetura contribuiria mais porque abriria o espaço para atores da cadeia como profissionais jornalistas, blogueiros, RPs possam trocar experiências na busca pelas novas perguntas diante das atuais transofrmações. Eu ainda acho importante que haja pessoas transmitindo “verdades cristalizadas” porque muita gente ainda não tem esse “conhecimento”, talvez, defasado diante da realidade, mas só mesmo a partir disso podemos questionar e ler críticas como a sua para ter um olhar mais amplo. Eu organizo o NewsCamp para profissionais da comunicação como alternativa para essa troca de conhecimento não só para profissionais que já aprofundaram além do óbvio como também para aqueles que ainda buscam conceitos, respostas e capacidade para discernir os diferentes atores dessa cadeia de transformação. Espero poder em breve ir ao Camp da área de criação para conhecer pessoas como você que estejam dispostas ir um pouquinho além. Ou seja, colaborar e interagir para avanço de uma sociedade em rede. bjkas!
O post é interessantíssimo, e essa mesmice citada não atinge apenas a área de web, sou da Educação, e não tolero mais ler autores diferentes ou participar de cursos ou palestras, que falam sempre sobre os mesmos assuntos, nada muda, pouco acrescenta, nada se cria nem se renova, e solução , nem pensar, são apenas citações óbvias e massantes. Prova disso é o nível educacional que nosso país se encontra, um dos níveis educacionais mais baixos do mundo.Temos que começar a colocar em prática o que pensamos e o que queremos pois ” o governo deve temer o povo, e não o povo temer o governo”, afinal somos maioria.