Sabe o que está falando?
O último artigo me obrigou a refletir sobre outra questão bastante recorrente nos mais diversos ciclos, incluindo o círculo profissional, o valor do saber.
Há alguns anos – não muitos – quem quisesse se aventurar pelos, até hoje, obscuros caminhos da internet não tinha tantas opções além do autodidatismo. Quem não aprendia na raça permanecia sem saber. Simples assim.
Era uma época em que qualquer conhecimento sobre a internet, um meio totalmente novo, precisava ser garimpado.
Qualquer que fosse a área, do design ao desenvolvimento, era preciso dedicar horas para consolidar conceitos e técnicas sobre qualquer assunto. Não preciso dizer o quanto adorava viver aquele momento, quando criança desmontava todos os brinquedos só pra ver como poderia montá-los novamente. Eu me divertia, meus pais nem tanto, e minhas irmãs têm até hoje pavor de que eu mexa nas coisas delas.
A Internet tem sido um ótimo brinquedo para muita gente, alcançou as massas, elevou a colaboração e a coletividade a um novo patamar e com isso muitos dos que dedicam-se em aprender como desmontá-la e montá-la, criam e compartilham pequenos manuais sobre suas descobertas e macetes, os tutoriais, que são importantíssimos para a difusão de conhecimentos valiosos, mas, involuntariamente decisivos na postura comôda adotada por alguns.
Parece que a fase da curiosidade, do questionamento e da experimentação de conhecimentos acerca da internet passou a minguar e ceder espaço para um momento crítico em que existem muitos pseudo-profissionais que não se dão ao menor trabalho de evoluir, sair do lugar comum, se isto não estiver previsto em um tutorial X de um determinado Fulano.
Soluções prontas, respostas prontas e uma legião de indivíduos que desconhecem seu próprio objeto de trabalho, e nisto pode-se incluir qualquer profissional, não apenas o pessoal da internet.
Quem não tiver prazer em desmontar e montar seus brinquedos, jamais terá propriedade sobre o que faz, e mais, será um mero replicador de idéias prontas propenso a cair em total descrédito quando for pego falando besteiras.
