Eu não sei programar… E me orgulho disto! Pt. II

Salve!

Agradeço imensamente a participação de todos.

Vi que alguns entenderam meu ponto de vista e outros nem tanto, e juro que achei que haveria muito mais flame do que houve. Talvez isso seja um sinal de que o que tentei expor seja a mesma idéia de muitas pessoas.

Mas, continuando…

O grande problema, que tentei apontar, está exatamente nesta questão de todo muitos profissionais acharem que devem ser igual ao Bombril e suas 1001 utilidades, ou pior: igual aquela faca de cozinha usada para desapertar parafusos.

Nada, absolutamente NADA impede que um designer tenha NOÇÕES de programação ou um programador tenha uma NOÇÃO de design. Mas isto não quer dizer que um possa exercer com EXCELÊNCIA a função do outro, ou ainda que um seja melhor ou mais fundamental que o outro.

Ninguém, de modo algum, critica um programador que gasta uma fortuna em uma certificação JAVA e não faz a menor idéia do que vem a ser um wireframe, por exemplo, mas um designer que se dedica às questões relacionadas a Interações Homem-Computador, Usabilidade, Arquitetura de Informação, Acessibilidade e Conceitos Estéticos e Mercadológicos, sem saber pelo menos PHP e MySQL, ou que domine ActionScript é tido como um incompetente e preguiçoso.

Sem qualquer intenção xenofóbica, é como o americano que só fala inglês acreditar ser melhor que um brasileiro que fala Português, Inglês e Espanhol, só porque é americano.

O que falta fazer parte da mente das pessoas que produzem a web é exatamente saber valorizar cada um dos profissionais envolvidos e saber que todas as funções exigem tanto criatividade quanto lógica, apenas dosagens diferentes, e são igualmente importantes para o projeto.

Outra coisa, o fato de muitos acharem que para se apresentar uma solução em Design toma-se menos tempo que para apresentar uma solução em Programação é simplesmente uma conseqüência de uma cultura que banaliza a real função do Design e o coloca em um papel de simples solução estética, quando na verdade temos em um verdadeiro projeto de Design um sem fim de estudos e análises que devem priorizar o usuário e sua experiência no uso de determinada solução.

Um exemplo disto pode ser o projeto de redesign da BBC Inglesa, onde todo o projeto tomou mais de 06 meses e boa parte do que foi realizado está documentado no arquivo .pdf encontrado no seguinte link: http://homepage.mac.com/eyedropper/docs/glasswall.pdf.

Mais uma curiosidade fica por conta de um projeto de identidade visual que todos conhecemos, o do Banco Itaú, que foi concebido pelo ilustríssimo Alexandre Wollner, e tomou mais de 03 anos para ser concluído. Um ótimo documento a respeito pode ser encontrado neste link: http://reposcom.portcom.intercom.org.br/bitstream/1904/16907/1/R1125-1.pdf.

Enfim, como podemos ver, Designer não é um artista, tampouco um qualquer que cria a esmo, ou pelo menos não deveria ser.

Mas, infelizmente temos uma situação em que isso não consegue sequer ser debatido. O equívoco virou verdade e com isso vemos a exceção virar regra.

Da mesma maneira que o programador pode, e deve, buscar sua especialização e dedicar-se completamente ao seu objetivo sem perder seu foco, o Designer também tem todo o direito de fazê-lo.

O que não deve permanecer é o desconhecimento da real atividade e importância de um designer nos processos de desenvolvimento de voltadas para a internet, ou não, fazendo com que se pense que o design pode ser realizado por qualquer pessoa, banalizando assim conceitos fundamentais que fazem doDesign uma peça fundamental para a construção da sociedade como conhecemos, e isso desde a Revolução Industrial.

Concluindo: Sinto orgulho sim de não saber programar (não quer dizer que não tenha a noção necessária), pois assim posso dedicar-me exclusivamente àquilo que realmente interessa e me permite propôr soluções coerentes ao escopo da minha função: Designer.


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