Semana passada alguns alunos me questionaram acerca do uso de ícones na composição de páginas web e qual não foi a surpresa deles quando respondi que não aconselhava o uso dos malditos ícones a menos que soubessem muito bem o que estavam fazendo.
Considerei perfeitamente compreensível o espanto inicial, já que é muito comum recorrermos a representações gráficas quando nos deparamos com situações em que determinada informação se faz - ou a fazem - necessária, mas não há onde colocá-la.
Enfim, quando falamos da grande maioria da interfaces, sejam de websites ou aplicações, notamos - com um pouco de bom senso - que muitas vezes os ícones não passam de tentativas frustradas de dizer alguma coisa que no final das contas não dizem nada, quando não dizem o oposto do que fora proposto.
Valendo-se de toda a capacidade de produção de clichês que é própria dos grandes profissionais devidamente capacitados em qualquer botecudade da vida, muitos designers esquecem completamente que “uma imagem vale mais que mil palavras”, e que isso pode não ser nada bom. Mesmo!
Não canso de tentar entender, por exemplo, o que se passava na mente de quem concebeu os ícones que são utilizados no cabeçalho do portal Terra. Principalmente quando vejo o ícone que, em tese, representa o Horóscopo:
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Desculpem-me os mais castos, mas na minha opinião, este ícone tem relação, mas não com o Horóscopo
, e eu nem sou tão maldoso assim. E por favor, vamos ignorar a ovelha de moicano (ícone do tempo?). Tudo bem que o próprio tamanho das imagens não ajudam muito na compreensão das mesmas, mais isto deveria ser previsto na concepção, não?
Não que eu queira desprestigiar o trabalho de alguém - inclusive por desconhecer tal alguém - mas, verdade seja dita, criar ícones que sejam eficazes é um desafio demasiado arriscado para ignorarmos conceitos básicos de uma disciplina amada por uns e odiada por muitos, a semiótica.
É na semiótica que reside, como dizem, “o pulo do gato” e é nos seus tão esquecidos conceitos que, caso não tenhamos escolha, podemos aumentar as chances de sucesso na concepção de um ícone.
Santaella que me desculpe, mas sem me ater muito a complexa relação triádica da semiose peirceana, um dos fatores importantes que devemos nos obrigar a entender, semioticamente falando, é o tal do repertório, que é o acúmulo de experiências perceptivas e cognitivas utilizadas na leitura, interpretação e compreensão dos signos - não os do Horóscopo - que incluem os ícones.
Esclarecendo, os símbolos, ícones e equivalentes significam para mim o que a minha experiência de vida permitir. Por isso, o risco da abstração da informação com o uso de ícones que ficam na dependência da interpretação de mentes alheias, o que pode tornar a informação completamente subjetiva.
Um outro exemplo, crasso, diz respeito aos ícones de “Salvar” utilizados largamente nos mais variados aplicativos, como no exemplo, o Microsoft Office.

Disquetes são familiares para mim, apesar de que há alguns anos não os uso mais, porém, é muito provável que este disquete não diga muita coisa para um usuário adolescente que quando precisa guardar algum documento nunca usou um disquete, e sim CD, DVD ou um Pendrive.
É meio metafísico, mas o que fez sentido um dia, hoje já não faz mais tanto sentido e em breve não terá sentido nenhum. No caso do aplicativo, a função persiste, mas, em breve, o ícone não conseguirá mais representá-la.
Resumindo, não devemos abandonar os ícones por completo, mas precisamos ter consciência de que precisamos tomar muito cuidado para não comprometermos a informação, ou cairmos no ridículo como nos exemplos abaixo:


Não sei qual a autoria destas imagens, mas me incentivaram bastante a escrever este artigo.
Obrigado ao autor.
