Eu não sei programar… E me orgulho disto! Pt. II

Postado por André Persil em 27/05/2007

Salve!

Agradeço imensamente a participação de todos.

Vi que alguns entenderam meu ponto de vista e outros nem tanto, e juro que achei que haveria muito mais flame do que houve. Talvez isso seja um sinal de que o que tentei expor seja a mesma idéia de muitas pessoas.

Mas, continuando…

O grande problema, que tentei apontar, está exatamente nesta questão de todo muitos profissionais acharem que devem ser igual ao Bombril e suas 1001 utilidades, ou pior: igual aquela faca de cozinha usada para desapertar parafusos.

Nada, absolutamente NADA impede que um designer tenha NOÇÕES de programação ou um programador tenha uma NOÇÃO de design. Mas isto não quer dizer que um possa exercer com EXCELÊNCIA a função do outro, ou ainda que um seja melhor ou mais fundamental que o outro.

Ninguém, de modo algum, critica um programador que gasta uma fortuna em uma certificação JAVA e não faz a menor idéia do que vem a ser um wireframe, por exemplo, mas um designer que se dedica às questões relacionadas a Interações Homem-Computador, Usabilidade, Arquitetura de Informação, Acessibilidade e Conceitos Estéticos e Mercadológicos, sem saber pelo menos PHP e MySQL, ou que domine ActionScript é tido como um incompetente e preguiçoso.

Sem qualquer intenção xenofóbica, é como o americano que só fala inglês acreditar ser melhor que um brasileiro que fala Português, Inglês e Espanhol, só porque é americano.

O que falta fazer parte da mente das pessoas que produzem a web é exatamente saber valorizar cada um dos profissionais envolvidos e saber que todas as funções exigem tanto criatividade quanto lógica, apenas dosagens diferentes, e são igualmente importantes para o projeto.

Outra coisa, o fato de muitos acharem que para se apresentar uma solução em Design toma-se menos tempo que para apresentar uma solução em Programação é simplesmente uma conseqüência de uma cultura que banaliza a real função do Design e o coloca em um papel de simples solução estética, quando na verdade temos em um verdadeiro projeto de Design um sem fim de estudos e análises que devem priorizar o usuário e sua experiência no uso de determinada solução.

Um exemplo disto pode ser o projeto de redesign da BBC Inglesa, onde todo o projeto tomou mais de 06 meses e boa parte do que foi realizado está documentado no arquivo .pdf encontrado no seguinte link: http://homepage.mac.com/eyedropper/docs/glasswall.pdf.

Mais uma curiosidade fica por conta de um projeto de identidade visual que todos conhecemos, o do Banco Itaú, que foi concebido pelo ilustríssimo Alexandre Wollner, e tomou mais de 03 anos para ser concluído. Um ótimo documento a respeito pode ser encontrado neste link: http://reposcom.portcom.intercom.org.br/bitstream/1904/16907/1/R1125-1.pdf.

Enfim, como podemos ver, Designer não é um artista, tampouco um qualquer que cria a esmo, ou pelo menos não deveria ser.

Mas, infelizmente temos uma situação em que isso não consegue sequer ser debatido. O equívoco virou verdade e com isso vemos a exceção virar regra.

Da mesma maneira que o programador pode, e deve, buscar sua especialização e dedicar-se completamente ao seu objetivo sem perder seu foco, o Designer também tem todo o direito de fazê-lo.

O que não deve permanecer é o desconhecimento da real atividade e importância de um designer nos processos de desenvolvimento de voltadas para a internet, ou não, fazendo com que se pense que o design pode ser realizado por qualquer pessoa, banalizando assim conceitos fundamentais que fazem doDesign uma peça fundamental para a construção da sociedade como conhecemos, e isso desde a Revolução Industrial.

Concluindo: Sinto orgulho sim de não saber programar (não quer dizer que não tenha a noção necessária), pois assim posso dedicar-me exclusivamente àquilo que realmente interessa e me permite propôr soluções coerentes ao escopo da minha função: Designer.

Eu não sei programar… E me orgulho disto!

Postado por André Persil em 26/05/2007

Sou Designer, trabalho com Web, Multimídia e Gráfico.

Além dos meus conhecimento em Design, adoro Gerenciamento de Projetos, principalmente a Metodologia do PMI.

E foi estudando GP que aprendi a importância de ter em um projeto, pessoas especialistas que podem focar ao máximo seu know-how em soluções específicas de forma, rápida e inteligente, mantendo o escopo de cada fase ou tarefa do projeto sem comprometer a qualidade final.

Afinal, se cada macaco estiver no seu galho, a árvore permanecerá inteira, sem nenhum galho quebrado.

Mas, me pergunto: porque no Brasil, falando especificamente sobre a categoria do Design, quase todo mundo acredita que o “Designer perfeito” sabe programar?

Eu mesmo conheço muitos Desenvolvedores Web que só programam e estão felizes da vida com suas certificações ganhando em torno de R$ 60,00/hora sem saber o que é uma layer no Photoshop e muito menos o que é tipografia ou qualquer conceito de UCD, HCI, IA e outros.

Não programo em nenhuma linguagem e, apesar de muitos acharem estranho, não me sinto na obrigação de saber .NET ou PHP, só porque trabalho com Web, me dou por satisfeito em saber como essas linguagens funcionam e como podem me ajudar e, é claro, como posso ajudar ao programador.

Acho isso um conceito extremamente medíocre que banaliza e trata de forma simplista a função de um designer em projetos que demandam tanto de programação quanto de design.

Desculpe, mas para mim não há diferença de valor entre programador e designer, apesar de muitos se apoiarem no argumento de que em um projeto o designer pode ser qualquer fulaninho que sabe desenhar com o computador, mas o programador, por ser o fundamental, deve ter certificações o suficiente para dar liga numa sopa de letrinhas.

É como dizer que em uma construção o Programador está para o Engenheiro como o Designer está para o Pedreiro, quando na realidade o Designer está para o Arquiteto da mesma maneira que o Programador está para o Engenheiro. São funções distintas, porém complementares e igualmente importantes.

Mas como dizia o grande “síndico” Tim Maia: “Ah! Se todo mundo me pudesse ouvir…”

Criatividade em 02 palavras

Postado por André Persil em 13/05/2007

Saiba tudo!

Ou o máximo possível.

Quanto mais se sabe acerca do problema a ser resolvido e sobre as ferramentas a serem utilizadas, mais fácil de criar algo que seja realmente útil.

Grande parte dos problemas de criação devem-se a falta de informações sobre o que se espera do trabalho, ou seja, se há um briefing, as informações que constam nele são insuficientes.

Se o briefing traz as informações necessárias pode ser que não há o conhecimento dos recursos disponíveis para resolver o problema.

Enfim, quanto mais se sabe maior as chances de se criar com sucesso.

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